Doença de Dupuytren: o que é, como começa e quando tratar
O que é a doença de Dupuytren?

A doença de Dupuytren é uma condição em que o tecido da palma da mão começa a endurecer e encurtar ao longo do tempo. Esse processo leva à formação de estruturas semelhantes a “cordas”, que puxam os dedos para baixo e dificultam a abertura completa da mão.
Trata-se de uma doença crônica, progressiva e com forte componente genético. É considerada a doença fibrótica hereditária mais comum da mão.
Por que essa doença acontece?
A doença de Dupuytren não tem uma causa única bem definida. Ela ocorre pela combinação de dois fatores principais: uma predisposição genética e estímulos mecânicos ou ambientais.
Ou seja, a pessoa já nasce com uma tendência a desenvolver a doença, mas algum fator ao longo da vida pode ativar ou acelerar esse processo. Esse modelo de “dois fatores” é bem descrito na literatura médica.
Quem tem mais risco?
Existe um perfil clássico de pacientes mais acometidos. A doença é mais comum em homens acima dos 50 anos, especialmente em pessoas com histórico familiar e de origem caucasiana. Os dedos mais frequentemente afetados são o anelar e o mínimo.
Cerca de metade dos pacientes pode apresentar acometimento nas duas mãos. Um dado importante é que ter um irmão com a doença aumenta o risco em até três vezes.
Fatores associados
Alguns fatores aparecem com maior frequência em pacientes com Dupuytren, como tabagismo, etilismo, diabetes, trabalho manual e história de trauma local.
Apesar disso, é importante entender que esses fatores não são causas diretas da doença. Eles funcionam mais como facilitadores em quem já tem predisposição genética.
Como a doença começa?
O início costuma ser discreto e muitas vezes passa despercebido. Os primeiros sinais podem incluir o aparecimento de um pequeno nódulo na palma da mão, endurecimento da pele, pequenas depressões (como “covinhas”) ou alteração do contorno da mão.
Em cerca de 60% dos pacientes, o primeiro sinal é um nódulo palpável, que pode não causar dor e, por isso, acaba sendo ignorado no começo.
O que são nódulos e cordas?
Na fase inicial da doença, é comum o aparecimento de nódulos, que são pequenas áreas endurecidas na palma da mão. Com o tempo, esse tecido pode evoluir e formar as chamadas cordas.
Essas cordas são estruturas formadas por colágeno mais rígido e menos elástico, que começam a encurtar e tracionar os dedos, levando à deformidade característica da doença.
A doença sempre evolui?
Não. E esse é um ponto fundamental.
A maioria dos pacientes não evolui para contratura significativa. Aproximadamente 9 em cada 10 pessoas não desenvolvem deformidade importante, e muitos nunca precisarão de tratamento cirúrgico.
Nos casos em que existem apenas nódulos, cerca de 10% podem apresentar melhora espontânea, 70% permanecem estáveis e apenas 20% evoluem para contratura.
Quando começa a causar problema?
A doença passa a impactar de fato quando surge a contratura, ou seja, quando o dedo começa a perder a capacidade de esticar completamente.
Isso acontece porque as cordas se encurtam e puxam os dedos em direção à palma. Os dedos mais acometidos são o mínimo e o anelar, o que pode dificultar atividades simples do dia a dia.
A evolução é previsível?
Não. A evolução da doença de Dupuytren é bastante variável.
Ela pode permanecer estável por muitos anos e, de forma inesperada, começar a progredir. Em geral, é uma doença de evolução lenta, irregular e imprevisível.
Precisa fazer exame?
Na maioria dos casos, não é necessário realizar exames.
O diagnóstico é feito principalmente pelo exame clínico. Exames complementares só são indicados quando existe dúvida diagnóstica, suspeita de outra condição associada ou em situações específicas de planejamento de tratamento.
Quando tratar?
Nem todo paciente com Dupuytren precisa de tratamento.
A decisão depende principalmente da presença de perda de extensão dos dedos, do impacto funcional na vida do paciente e da progressão da deformidade.
Na prática, indicamos tratamento quando a doença começa a atrapalhar atividades do dia a dia.
Quais são as opções de tratamento?
Existem opções menos invasivas e opções cirúrgicas, e a escolha depende do estágio da doença e do perfil do paciente.
Os tratamentos menos invasivos, como infiltração e agulhamento, têm a vantagem de serem menos agressivos e proporcionarem uma recuperação mais rápida. Por outro lado, apresentam uma maior chance de recidiva ao longo do tempo.
A cirurgia é indicada nos casos mais avançados, especialmente quando há contratura significativa, acometimento de múltiplos dedos ou falha dos tratamentos menos invasivos.

A doença pode voltar?
Sim, e isso não é incomum.
O conceito de recidiva na doença de Dupuytren é complexo, porque nem sempre se trata exatamente de uma “volta” da doença no mesmo ponto. Pode ser uma progressão natural, o surgimento de novas áreas acometidas ou até alterações mecânicas residuais após o tratamento

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