Fratura do escafoide: dor no punho depois de uma queda pode ser mais séria do que parece

A fratura do escafoide é uma das fraturas mais importantes do punho. Ela acontece em um osso pequeno, localizado do lado do polegar, mas pode trazer consequências grandes quando não é diagnosticada ou tratada corretamente.
O problema é que, muitas vezes, essa fratura parece uma simples entorse. O paciente cai, apoia a mão no chão, sente dor no punho, mas não vê grande deformidade. Às vezes o inchaço é discreto. Em alguns casos, o primeiro raio-x nem mostra a fratura. Por isso, ela pode passar despercebida nos primeiros dias.
Esse cuidado é tão importante porque o escafoide tem uma circulação sanguínea delicada. Algumas regiões do osso recebem menos sangue, principalmente o polo proximal, que é a parte mais próxima do antebraço. Isso faz com que certas fraturas tenham maior risco de atraso de consolidação, pseudoartrose e necrose avascular. O Green’s Operative Hand Surgery é considerado uma das principais referências mundiais em cirurgia da mão e aborda justamente essa relação entre anatomia, vascularização, estabilidade da fratura e escolha do tratamento.
O que é o osso escafoide?
O escafoide é um dos oito ossos do carpo, que formam o punho. Ele fica na base do polegar e participa da ligação entre as duas fileiras de ossos do punho.
Apesar de pequeno, ele é essencial para o movimento e a estabilidade do punho. Quando o escafoide fratura, a mecânica do carpo pode ser comprometida, principalmente se houver desvio, instabilidade ou demora no diagnóstico.
A fratura do escafoide costuma ocorrer após queda com a mão espalmada no chão, com o punho em extensão. É o mecanismo clássico: a pessoa tenta se proteger da queda e o impacto passa diretamente pelo punho. A AAOS descreve essa fratura como uma lesão típica após queda sobre a mão estendida, com dor e inchaço na região logo abaixo da base do polegar.


Onde dói na fratura do escafoide?
A dor geralmente aparece no lado do polegar, em uma região chamada tabaqueira anatômica. Essa é aquela pequena depressão que aparece quando levantamos o polegar.
A dor pode piorar ao fazer pinça, segurar objetos, abrir tampa, apoiar a mão, empurrar uma porta, fazer flexão ou carregar peso. Em alguns casos, o paciente percebe apenas uma dor persistente, sem grande inchaço ou hematoma.
Esse é um ponto importante: a ausência de deformidade não exclui fratura do escafoide.
Muitas fraturas do escafoide são inicialmente confundidas com entorse do punho. Por isso, dor persistente na região radial do punho após trauma deve ser investigada com cuidado.
Por que a fratura do escafoide pode não aparecer no primeiro raio-x?
Esse é um dos grandes desafios dessa lesão. A fratura pode existir e, mesmo assim, o raio-x inicial parecer normal.
Isso acontece porque algumas fraturas são muito finas, incompletas ou estão em uma posição difícil de visualizar nas incidências radiográficas iniciais. Por isso, quando o exame físico é sugestivo, o paciente deve ser tratado como suspeita de fratura até que se prove o contrário.
As diretrizes orientam que, diante de suspeita clínica de fratura do escafoide, sejam feitas radiografias específicas e, quando a fratura não aparece mas a suspeita permanece, o paciente deve ser imobilizado e reavaliado com imagem complementar, como ressonância magnética ou tomografia.
A ressonância magnética é muito útil para detectar fraturas ocultas nos primeiros dias. A tomografia é excelente para avaliar o traço da fratura, o grau de desvio, a estabilidade e sinais de consolidação.
Quais são os tipos de fratura do escafoide?
As fraturas podem ser classificadas conforme a região do osso acometida.
A fratura do polo distal costuma ter melhor vascularização e maior chance de consolidação com tratamento conservador. A fratura da cintura do escafoide é a mais comum e exige atenção ao grau de desvio. Já a fratura do polo proximal é mais preocupante, porque essa região tem vascularização mais limitada e maior risco de não consolidar.
Uma revisão epidemiológica mostrou que a maioria das fraturas do escafoide ocorre no terço médio, ou cintura do escafoide, representando cerca de 60% a 69% dos casos. O mesmo estudo apontou que, em adultos, o risco de pseudoartrose fica em torno de 2% a 5%, sendo mais comum em homens e nas fraturas do terço médio.
Além da localização, também é importante avaliar se a fratura é sem desvio, minimamente desviada, desviada, cominutiva ou associada a lesões ligamentares e instabilidade carpal.



Quais são os tipos de fratura do escafoide?
As fraturas podem ser classificadas conforme a região do osso acometida.
A fratura do polo distal costuma ter melhor vascularização e maior chance de consolidação com tratamento conservador. A fratura da cintura do escafoide é a mais comum e exige atenção ao grau de desvio. Já a fratura do polo proximal é mais preocupante, porque essa região tem vascularização mais limitada e maior risco de não consolidar.
Uma revisão epidemiológica mostrou que a maioria das fraturas do escafoide ocorre no terço médio, ou cintura do escafoide, representando cerca de 60% a 69% dos casos. O mesmo estudo apontou que, em adultos, o risco de pseudoartrose fica em torno de 2% a 5%, sendo mais comum em homens e nas fraturas do terço médio.
Além da localização, também é importante avaliar se a fratura é sem desvio, minimamente desviada, desviada, cominutiva ou associada a lesões ligamentares e instabilidade carpal.
Toda fratura do escafoide precisa operar?
Não. Muitas fraturas do escafoide podem ser tratadas sem cirurgia, principalmente quando são estáveis, sem desvio e diagnosticadas cedo.
O tratamento conservador geralmente envolve imobilização do punho por algumas semanas, com acompanhamento clínico e radiográfico. Em muitos casos, a tomografia é usada para confirmar se a consolidação está acontecendo de forma adequada.
As fraturas distais costumam consolidar bem com imobilização. Fraturas da cintura sem desvio ou com mínimo desvio também podem ser tratadas sem cirurgia, desde que haja acompanhamento adequado.
Por outro lado, a cirurgia pode ser indicada quando há desvio, instabilidade, fratura do polo proximal, atraso no diagnóstico, necessidade de retorno mais rápido às atividades, fratura associada a outras lesões ou maior risco de pseudoartrose.

Como é a cirurgia da fratura do escafoide?
A cirurgia mais comum é a fixação do escafoide com parafuso de compressão, geralmente um parafuso sem cabeça, colocado dentro do osso.
O objetivo é alinhar a fratura, estabilizar os fragmentos e permitir que o osso consolide em boa posição. Dependendo do tipo de fratura, a fixação pode ser feita por técnica percutânea, com incisões menores, ou por abordagem aberta.
A escolha da via depende da localização da fratura, do desvio, da necessidade de redução direta e da presença de outras lesões.
A Revista Brasileira de Ortopedia publicou estudo sobre fixação percutânea em fraturas do terço médio e proximal do escafoide, mostrando essa técnica como uma opção de baixa morbidade em casos selecionados.
Fraturas do polo proximal, fraturas desviadas e fraturas instáveis costumam exigir planejamento mais cuidadoso. Uma revisão cirúrgica recente reforça que o tratamento operatório é frequentemente recomendado nas fraturas do polo proximal, justamente pela menor vascularização dessa região.
Quanto tempo demora para uma fratura do escafoide colar?
O tempo de consolidação varia muito. Depende da localização da fratura, do desvio, da estabilidade, da idade do paciente, do tabagismo, da qualidade da imobilização e do tipo de tratamento.
Fraturas distais podem consolidar mais rapidamente. Fraturas da cintura geralmente exigem mais tempo. Fraturas proximais podem demorar mais e têm maior risco de complicação.
Em geral, o paciente precisa entender que o escafoide não é um osso qualquer do punho. A consolidação deve ser confirmada com exame clínico e imagem. Não é adequado liberar carga, esporte ou esforço apenas porque a dor melhorou.
Quais são os riscos de não tratar corretamente?
A principal complicação é a pseudoartrose, que acontece quando a fratura não consolida. Nesse caso, o osso permanece “solto” no local da fratura, gerando dor, perda de força e alteração progressiva da mecânica do punho.
Outra complicação importante é a necrose avascular, principalmente no polo proximal. Isso acontece quando a vascularização do fragmento ósseo fica prejudicada.
Com o tempo, uma fratura não consolidada pode evoluir para artrose do punho. Esse processo pode causar dor crônica, rigidez, perda de força e limitação para atividades simples do dia a dia.
Quando devo suspeitar de fratura do escafoide?
A suspeita deve ser alta quando existe dor no lado do polegar após queda ou trauma no punho, principalmente se houver dor na tabaqueira anatômica.
Também é importante investigar quando o paciente sente dor ao apoiar a mão, fazer força, pegar peso ou movimentar o punho, mesmo que o primeiro raio-x tenha sido normal.
Na dúvida, o mais seguro é imobilizar e investigar. O erro mais comum é tratar como “apenas uma entorse” e só descobrir a fratura semanas ou meses depois, quando o tratamento já pode ser mais complexo.
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